Notícias : ​Awa-Guazha: A tribo amazónica onde as mães amamentam os animais da selva

​Awa-Guazha: A tribo amazónica onde as mães amamentam os animais da selva

Culturas..

Publicado por Vamos lá Portugal em Notícias
Partilhar no Facebook
46 46 Partilhas

Awa-Guazha: A tribo amazónica onde as mães amamentam os animais da selva

Já ouvimos falar de alguns costumes estranhos – ainda que, quem sabe, talvez sejamos nós os estranhos – que têm as tribos que vivem nos lugares mais recônditos da Terra, da mesma forma que vivam os seus antepassados há mil anos atrás. Anos que passaram sem estes terem contato com o resto do mundo desenvolvido, e em muitos casos, sem se quer o terem com outras tribos.

Na selva a Este do Amazonas (Brasil) vive uma das tribos mais vulneráveis do mundo, os Awa-Guazha. Segundo o Daily Mail “A maioria das famílias tem vários animais selvagens domesticados, que são amamentados pelas mulheres até crescerem”. Ainda que a tribo se alimente principalmente dos animais que caçam, não comem os que foram amamentados.

“São muito próximos da natureza. Aliás, nem é ser-se próximo – eles são parte da natureza”, diz o fotógrafo Domenico Pugliese.

A sua população é escassa, restando apenas 350 Awas; 60 deles nunca tiveram qualquer contato com o mundo exterior. 

Como todas as tribos, o seu laço com a natureza é total, mas neste caso destaca-se a sua tradição em que as mulheres da tribo amamentaram as crias dos animais, que acabam por crescer no meio deles e que são considerados e tratados como um membro da família. 

O laço não fica por aí, já que estes animais domesticados os ajudam a chegar a frutos inalcançáveis, e chegando mesmo a abri-los (os mais difíceis) por eles. 

Muita pouca gente teve contato com esta tribo, especialmente depois destes terem sido quase extintos pelos colonizadores há 500 anos atrás. Por esta razão, as fotos de Domenico são algo de excecional. 

“Ouviram o barulho da lancha e foram até à margem do rio”, conta ele, “A situação foi marcante, como entrar noutro mundo. O sentimento não dá mesmo para explicar com palavras.”

Quando o fotógrafo chegou à povoação, acompanhado unicamente por um antropólogo depois de vários dias de viagem pela selva, sentia-se cheio de medo. Não sabia como iriam reagir. Ele acenou e esperou, e depois de algum silêncio, a curiosidade da tribo traduziu-se num encontro amigável.

“Eles não percebiam o que é fazia ali um homem solteiro e sem família. Olharam-me de cima abaixo e deram-me conselhos. Não conseguia explicar-lhes de onde vinha, nem como era o meu estilo de vida. Para eles era incrível e até preocupante um homem não ter família.”

A família é muito importante para os Awa, e não se limita aos seres humanos. As suas mascotes, como referimos anteriormente, fazem tanto parte da sua família como os seus filhos. 

Eles criam javalis, esquilos, pássaros e grandes roedores conhecidos como a Dasyprocta leporina, mas os seus animais preferidos são os macacos.

Os primatas são uma fonte importante de alimento, mas depois de o bebé nascer e a mãe começar a amamentar, eles nunca mais comem isso. Mesmo que eles regressem à selva, eles serão reconhecidos como “hanima” – ou parte da família.

A harmonia com a natureza está a ser fortemente corroída, com o risco desta tribo se perder para sempre.

Das dezenas de milhares de Awas que viviam em assentamentos, já só existem apenas 400. 

A sua população foi dizimada por doenças como a varíola, o sarampo e a gripe, importadas pelos colonos. Aqueles que sobreviveram foram escravizados e postos a trabalhar em plantações de borracha e de cana-de-açúcar.

Em 19835, depois de séculos de opressão, as tribos do Maranhão enfrentaram os seus governantes europeus numa revolta de cinco anos que acabou com o extermínio em massa de cerca de 100 mil indígenas em todo o estado.

Os Awas viram-se forçados a adotar um estilo de vida nómada para fugir do genocídio. Nos 200 anos seguintes tornaram-se caçadores hábeis e aprenderam a construir abrigos em poucas horas, para abandona-los no dia seguinte.

Com o seu novo estilo de vida nómada, eles perdem o conhecimento acerca de agricultura ou até mesmo como fazer fogo.

Hoje, a existência é debatida enquanto o Homem destrói a selva. Tatuxa’a, um porta-voz dos Awa que manteve contato com a civilização conta:

“Fui para a selva e estava rodeado de fumo e poeira. Havia fogo por todo o lado muito próximo da nossa comunidade. Precisamos da ajuda do governo. Nós, sozinhos, não conseguimos apagar os incêndios, já existem muitos. A floresta está a ser destruída! Onde vamos caçar? Onde vamos recolher mel? Hoje estou muito triste e preocupado.”

Partilhar no Facebook
46 46 Partilhas

Fonte: La voz del muro
Crédito foto: La voz del muro

Goste/partilhe